sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

National Geographic e as controvérsias arqueológicas

A revista National Geographic deste mês apresenta o cenário belicoso que há entre duas correntes arqueológicas: os que procuram negar a historicidade dos relatos bíblicos e os que tentam confirmá-los. A reportagem de capa merece ser lida pela riqueza de detalhes com que trata o assunto e pelo relativo equilíbrio entre os “dois lados” da história. Isso deveria ser imitado pelas populares revistas brasileiras de divulgação científica que frequentemente pecam pela superficialidade e partidarismo. 

O texto na National Geographic trata principalmente da descoberta feita em 2005 pela arqueóloga Eilat Mazar. Na época, ela anunciou que provavelmente havia descoberto o palácio do rei Davi. “Foi como se fizesse veemente defesa de uma proposição da velha escola de arqueologia que está sob ataque há mais de um quarto de século: a ideia de que a descrição bíblica do império fundado por Davi e levado adiante por seu filho Salomão é historicamente exata”, diz a revista. “A contundente declaração de Eilat deu força àqueles cristãos e judeus do mundo todo para quem o Antigo Testamento pode e deve ser interpretado ao pé da letra.” [Bem, a questão aqui não é deinterpretação, como se verá mais adiante, mas de confirmação do pano de fundo histórico de um período descrito pela Bíblia.]

A crítica é mesmo antiga: arqueólogos minimalistas afirmavam que o império de Davi e Salomão jamais havia existido, pois aparentemente não há evidências de construções na região. Até que Eilat divulgou seu achado. A fim de desacreditar a descoberta, houve até ataques pessoais (ad hominem): críticos ressaltaram que as escavações da arqueóloga foram financiadas por duas organizações, a Fundação Cidade de Davi e o Centro Shalem, dedicadas a reivindicar direitos territoriais para Israel. “E zombam porque ela usa os métodos antiquados de antepassados arqueólogos, como os do avô, que não se constrangia em trabalhar com a pá numa mão e a Bíblia na outra”, diz a matéria. Note que os ataques são dirigidos à fonte de financiamento da pesquisa e aos métodos da arqueóloga, e não necessariamente à descoberta dela.

A matéria prossegue: “A prática antes comum de usar o livro sagrado como guia arqueológico é contestada por ser um raciocínio circular, anticientífico – e quem mais se empenha contra ela é o questionador-mor da Universidade de Tel-Aviv, Israel Finkelstein, que dedicou a carreira a demolir estrondosamente hipóteses desse feitio. Ele e outros proponentes da ‘baixa cronologia’ afirmam que o peso das evidências arqueológicas em Israel e seu entorno indica que as datas postuladas pelos estudiosos da Bíblia estão antecipadas em um século. As construções ‘salomônicas’ escavadas por arqueólogos bíblicos ao longo de várias décadas recentes em Hazor, Gezer e Megiddo não foram erigidas no tempo de Davi e Salomão, argumenta ele; portanto, devem ter sido construídas por reis da dinastia Omride, no século 9 a.C., bem depois do reinado de Salomão.”

Se acusam Eilat de ter interesses “escusos” e usar a Bíblia como documento histórico orientador de pesquisa, por que não lembram que Finkelstein é crítico ferrenho de tudo que “cheira a Bíblia”? É só notar a ferocidade da seguinte declaração dele: “É claro que não estamos olhando para o palácio de Davi! Tenha a santa paciência. Tudo bem, eu respeito seus [de Eilat] esforços. Gosto dela, é uma senhora simpática. Mas essa interpretação é, como direi?, um tanto ingênua.”

Finkelstein deve estar ainda mais irado, pois agora, segundo a National Geographic, é a teoria dele que está no paredão. “Logo depois que Eilat declarou ter descoberto o palácio do rei Davi, dois outros arqueólogos revelaram achados notáveis. Trinta quilômetros a sudoeste de Jerusalém, no vale de Elah – justamente onde a Bíblia diz que o jovem pastor Davi matou Golias –, o professor Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica, afirma ter escavado o primeiro trecho de uma cidade judaica datada da época exata em que Davi reinou. Enquanto isso, 50 quilômetros ao sul do Mar Morto, na Jordânia, um professor da Universidade da Califórnia em San Diego, Thomas Levy, passou os últimos oito anos escavando uma grande mina e fundição de cobre em Khirbat en Nahas. Segundo Levy, um dos mais importantes períodos de produção de cobre nesse sítio foi no século 10 a.C. – época em que, segundo a narrativa bíblica, os edomitas, antagonistas de Davi, ocupavam a região (estudiosos como Finkelstein, todavia, garantem que o reino de Edom surgiu apenas dois séculos depois). A própria existência de uma mina e fundição de cobre dois séculos antes do período em que o grupo de Finkelstein aponta como o do surgimento dos edomitas indicaria que havia atividades complexas bem no tempo em que Davi e Salomão reinaram. ‘É possível que isso tenha pertencido a Davi e Salomão’, analisa Levy sobre sua descoberta. ‘Porque a escala da produção de metal aqui é, de fato, a de um Estado ou reino antigo.’”

E as evidências? A revista informa que Levy e Garfinkel têm as pesquisas subvencionadas pela National Geographic Society e baseiam suas afirmações em uma profusão de dados científicos, entre eles fragmentos de cerâmica e datação por radiocarbono de caroços de azeitona e tâmara encontrados nos sítios. “Se as evidências de suas atuais escavações se sustentarem, a posição dos peritos de outrora que apontavam a Bíblia como um relato preciso da história de Davi e Salomão pode ser confirmada. Como diz Eilat Mazar com visível satisfação: ‘É o fim da escola de Finkelstein.’”

A reportagem apresenta outras evidências que corroboram as conclusões de Garfinkel – como centenas de ossos de boi, cabra, ovelha e peixe, mas nenhum osso de porco, o que sugere que judeus, e não filisteus, devem ter vivido ali. Tudo isso foi encontrado abaixo de uma camada do período helenístico. E tem mais: a equipe do arqueólogo topou também com um achado raríssimo, um caco de vasilha de cerâmica com inscrições que parecem ser em uma escrita protocananita contendo verbos característicos do hebraico. A conclusão parece óbvia: ali estava uma complexa sociedade judaica do século 10 a.C, do tipo que os defensores da baixa cronologia, como Finkelstein, afirmam que não existe.

Luiz Gustavo Assis é teólogo e trabalhou como auxiliar de pesquisa no Museu de Arqueologia Bíblica Paulo Bork, localizado no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho. Para ele, Finkelstein não é o único com uma visão negativa a respeito da historicidade do relato bíblico. “Nos anos 1990, diversos teólogos e historiadores de universidades europeias publicaram obras extremamente belicosas contra a Bíblia Hebraica, como Thomas L. Thompson, Niels-Peter Lemche e Philip Davies. Esses são alguns dos nomes que compõem a Escola de Copenhagen, ou os chamados minimalistas, aqueles que desconsideram a Bíblia como um documento com informações históricas precisas”, informa Luiz. 

Segundo o teólogo, não é preciso ter motivação religiosa para questionar as abordagens e conclusões desses autores, muitas vezes baseadas no silêncio de fontes arqueológicas. Luiz cita o agnóstico William G. Dever, autor do livro What did the Biblical Writers Know & When did They Know It?. Dever ataca ferozmente o niilismo por detrás dessa postura displicente de se encarar a história de Israel. “Dever não é um anônimo ou um novato no assunto”, diz Luiz. “Sua carreira como arqueólogo já passa dos 30 anos. Seu nome é tremendamente respeitado nos círculos acadêmicos quando o assunto é arqueologia siro-palestinense ou bíblica. Como um cético, ele não acredita em tudo o que o livro sagrado dos judeus diz, mas sua opinião é honesta: há informação histórica digna de crédito para se estabelecer uma parte da história de Israel.”

Finkelstein e outros que afirmavam não existir evidência de atividade escribal em Canaã antes do século 9 a.C. teve novamente que engolir a língua com a descoberta de um caco de cerâmica com aproximadamente 15 cm. O ostracon contém uma inscrição que data do 11º século a.C. e foi descoberto no sítio arqueológico de Khirbet Qeyafa. “Não se trata de uma aglomerado de palavras desconexas”, explica Luiz. “É um texto que faz menção de um juiz (shaphat), rei (melekh) e escravos (‘eved).” “Quando Frank Moore Cross – um dos principais especialistas em inscrições proto-cananitas de Harvard – examinou o ostracon e a inscrição, ele ficou duas noites sem dormir”, disse Lawrence Stager, professor de Arqueologia Bíblica em Harvard. 

Ainda segundo a reportagem da National Geographic, para os arqueólogos minimalistas, Davi e Salomão foram simplesmente personagens fictícios. No entanto, a credibilidade dessa posição foi solapada em 1993, quando uma equipe de escavação no sítio de Tel Dan, no norte de Israel, descobriu uma estela de basalto negro com a inscrição “Casa de Davi” (para maior compreensão do que significa a expressão “Casa de Davi”, consulte a obra Escavando a Verdade, do Dr. Rodrigo Silva). Mas, como a Bíblia não podeser usada como documento histórico, os minimalistas ainda afirmam que a existência de Salomão continua carente de comprovação.

O que Levy escavou em Khirbat en Nahas pode ainda dar muita dor de cabeça para Finkelstein e a escola da baixa cronologia. National Geographiccompara: “As minas de cobre de Levy talvez não sejam tão sensacionais quanto o palácio do rei Davi ou o mirante com vista para a batalha entre Davi e Golias. Mas as escavações de Levy abrangem mais tempo e área que as de Eilat Mazar e Yosef Garfinkel, e fazem uso bem mais amplo da análise por radiocarbono para determinar a idade das camadas estatigráficas de seu sítio.”

A revista expõe a virulência de Finkelstein, que zomba das descobertas de Garfinkel em Khirbet Qeiyafa: “‘Você nunca vai me pegar dizendo ‘achei um caroço de azeitona num estrato em Megiddo, e esse caroço – contrariando centenas de outras datações por carbono 14 – vai decidir o destino da civilização ocidental.’ Ele para de falar de repente e solta uma risada sarcástica. E a ausência de ossos de porco, sugerindo que o sítio é judeu? ‘Um dado, mas não conclusivo.’ E a inscrição rara encontrada no sítio? ‘Provavelmente da cidade filistina de Gath, não do reino de Judá.’ [...] A hipótese de que uma sociedade complexa do século 10 a.C. possa ter existido nos dois lados do rio Jordão pôs na defensiva a posição de Israel Finkelstein sobre a era de Davi e Salomão. Seus muitos artigos de réplica e seu tom sarcástico refletem essa defensiva, e com argumentos que, não apenas para seus desafetos, muitas vezes parecem apelativos.” 

Rodrigo Pereira da Silva é professor de teologia no Unasp, doutor em Teologia, especialista em Arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém e doutorando em Arqueologia pela USP (além de autor do livro recomendado acima). Ele conhece pessoalmente grande parte dos nomes citados na matéria da National Geographic. Já conversou com Filkelstein, foi aluno de Garfinkel (na verdade, sua primeira experiência arqueológica foi sob seu comando, em Shaar ha Golan). Para Rodrigo, o mérito e o diferencial dessa reportagem consistiram em mostrar que, para os arqueólogos, o assunto da historicidade bíblica está dividido. Ele diz: “Antes os artigos deixavam o leitor com a impressão de que todos os arqueólogos sérios e profissionais questionavam a Bíblia e apenas os leigos ou pseudo-arqueólogos (como Erich von Däniken ou Werner Keller) endossavam o texto bíblico com suas pesquisas particulares que não receberiam a chancela de nenhuma universidade.” 

Segundo Rodrigo, essa situação de polêmica “felizmente fez surgir as figuras de Eilat Mazar e Garfinkel, que têm autoridade acadêmica para discordar de arqueólogos minimalistas como os que, via de regra, desfilam nas páginas de revistas populares como a National, a Superinteressante ou a Época”. 

Rodrigo faz ainda duas observações com respeito à reportagem: 

1. Quando o texto diz: “Há um probleminha: os arqueólogos, depois de procurar exaustivamente por décadas, não encontraram nenhum indício confiável de que Davi ou Salomão tenham construído qualquer coisa”, deixa os leitores leigos com uma impressão distorcida da pesquisa de campo em arqueologia. “Posso afirmar que 80% ou 90% da história antiga geral (i.e. não bíblica) não pôde ser ‘confirmada’ por escavações arqueológicas. Terremotos, guerras, roubos, ações do tempo, construção de novas metrópoles, etc., puseram a termo ou sepultaram para sempre monumentos e artefatos da antiguidade. Isso não acontece só com a Bíblia, mas com a história em geral. Não há, por exemplo, nenhuma prova arqueológica segura da presença dos imensos exércitos de Alexandre, o Grande, na Índia; o que temos são relatos tardios, escritos 300 anos depois da morte dele (cf. As Vidas Paralelas de Plutarco), e cujos originais também se perderam (o que nos restam são cópias ainda mais tardias).” 

Curiosamente, no entanto, poucos historiadores questionam a presença alexandrina desde a Macedônia até as terras indianas. “Ora, se o critério da dúvida, tão advogado em relação à Bíblia, fosse aplicado à história em geral, teríamos que duvidar quase da totalidade do que os livros didáticos nos apresentam. Mesmo na história mais recente, onde estão (arqueologicamente falando) as provas de que Colombo desembarcou nas Antilhas em 1492 ou de que a primeira missa no Brasil foi realizada em Porto Seguro, pouco tempo depois do descobrimento? A resposta é: não há nenhum indício confiável de qualquer desses eventos. Vamos duvidar deles também? Com exceção das pirâmides do Egito e de uns poucos fragmentos do mausoléu de Halicarnasso, onde estão as provas de que as sete maravilhas do mundo antigo de fato existiram?”, questiona Rodrigo.

2. Para o professor do Unasp, o tom zombeteiro sobre arqueólogos como os falecidos Yadin, Albright e o renomado Benjamim Mazar (avô de Eilat), que escavavam, como diz o artigo, “com a pá numa mão e a Bíblia noutra”, parece o argumento do espantalho, para usar um exemplo de falácia. “Em primeiro lugar”, diz Rodrigo, “esses foram alguns dos mais respeitados e renomados arqueólogos de todos os tempos. Ademais, Albright vinha de uma escola humanista que não aceitava certos aspectos da teologia cristã; suas afirmações em relação à Bíblia, portanto, eram baseadas nos fatos e não em suas predisposições ou convicções pessoais.” Rodrigo cita também H. Schelermann, que usou justamente um texto antigo (a Ilíada de Homero) como uma espécie de “mapa” para encontrar Troia. E ele a encontrou. “Não creio que a valorização do texto antigo (como é o caso da Bíblia) seja algo anticientífico ou ultrapassado. E não se trata, como diz o artigo, de ‘literalizar’ cada frase da Bíblia Sagrada. Eu, pelo menos, não acredito na inerrância do texto bíblico, mas isso não nega que ele esteja descrevendo uma história real.”

Luiz Gustavo Assis lembra que a arqueologia tem limites. Existe a confirmação histórica da existência de Davi, feita por Avraham Biran, em 1993, e agora a provável identificação do sítio arqueológico mencionado na famosa história da batalha de Davi contra o filisteu Golias. No entanto, nenhum desses achados prova que o gigante foi morto com uma pedra de funda! Provavelmente jamais seja encontrado documento com uma inscrição como essa. No entanto, a credibilidade histórica da Bíblia não está no vácuo. Existe um terreno sólido sobre o qual o leitor pode caminhar.

Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia

Nota: O arqueólogo Michael Hasel está trabalhando com Garfinkel. Clique aqui para ler o artigo que ele publicou sobre o assunto, neste ano, na Adventist Review. E este é o site oficial com a história da descoberta do ostracon: http://qeiyafa.huji.ac.il/ostracon.asp
Contribuição Michelson Borges.

Livro traz visão de 50 cientistas sobre criação bíblica

Foi lançado e está disponível para venda (http://www.scb.org.br/) uma importante obra sobre o ponto de vista criacionista bíblico. O livro Em Seis Dias – Por que 50 cientistas decidiram aceitar a criaçãofoi organizado pelo australiano John Ashton e contém, como o próprio nome diz, depoimentos de 50 influentes cientistas de todo o planeta e sua avaliação sobre os motivos que os levaram a aceitar a criação tal como descrita no livro bíblico de Gênesis. A tradução para o português do livro originalmente publicado na Austrália, em inglês, foi realizada pela professora Ieda C. Tetzke e a revisão final procedida por uma equipe coordenada pela Sociedade Criacionista Brasileira, contando com a colaboração técnica dos professores mestres e doutores Eduardo Ferreira Lütz, Nahor Neves de Souza Jr., Queila de Souza Garcia, Tarcísio da Silva Vieira, Urias Echterhoff Takatohi e Wellington dos Santos Silva. São apresentados argumentos científicos em várias áreas do conhecimento humano como biologia, engenharia, física, química, geologia e outras. Todos os autores possuem doutorado obtido em universidades públicas de prestígio na Austrália, EUA, Reino Unido, Canadá, África do Sul e Alemanha. São professores universitários e pesquisadores, geólogos, zoólogos, biólogos, botânicos, físicos, químicos, matemáticos, pesquisadores biomédicos e engenheiros.

(Felipe Lemos, ASN)


Mais uma grande contribuição de meu amigo Milchelson Borges

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Nasa anuncia forma de vida extraterrestre terrestre

Em coletiva de imprensa realizada [ontem], a Nasa anunciou a descoberta de um ser vivo que, mesmo morando na Terra, é diferente de qualquer outra criatura já encontrada e pode ser o primeiro passo para redefinir o sentido da palavra “vida”. “É extremamente importante porque essa foi a primeira vez que se descreveu um organismo que é capaz de sobreviver sem fósforo, usando arsênico no lugar”, explica o Dr. Douglas Galante, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. O organismo em questão é uma bactéria encontrada no lago Mono, na Califórnia, e descrito em um trabalho pela pesquisadora Felisa Wolfe-Simon na Science. Nessa bactéria, o arsênico, que é considerado um elemento extremamente tóxico para outros seres vivos, está presente do DNA, nas proteínas, no ATP e é usado em todos os seus processos metabólicos.

Embora fósforo e arsênico tenham propriedades químicas parecidas, este é muito mais instável. De alguma forma, a bactéria encontrada tem mecanismos que conseguem lidar com o arsênico de forma nunca antes vista em um ser vivo, o que pode significar que ela evoluiu paralelamente [sic], separada de todo o resto que conhecemos. 

“Ela pode ser definida como uma quebra de paradigmas. A descoberta muda nossa maneira de buscar vida fora da Terra”, diz Galante, que atualmente coordena a montagem do laboratório de Astrobiologia da USP; a ciência define o estudo da origem, evolução, distribuição e futuro da vida no universo. [...]

(Info Exame)

Nota: Dias antes, a Nasa já havia anunciado que faria uma declaração impressionante sobre vida extraterrestre, o que causou sensação em todo o mundo. A descoberta é interessante, sem dúvida, mas de extraterrestre nada tem. Na verdade, revela o quanto ainda desconhecemos sobre a vida em nosso próprio planeta. O que me chamou a atenção mesmo foi a maneira como a revista Veja colocou a coisa: “A descoberta de uma bactéria que se comporta como um organismo extraterrestre[!], anunciada nesta quinta-feira pela Nasa, pode ser a conquista mais importante da astrobiologia neste século, de acordo com o astrônomo Douglas Galante, coordenador do laboratório de astrobiologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). ‘Isso abre portas para a existência de formas de vida em outros planetas que não utilizem os seis elementos básicos da vida na Terra’, afirma. Todas as formas de vida em nosso planeta são baseadas em seis elementos químicos: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre. Mas a bactéria descoberta por uma equipe de pesquisadores do Instituto de Astrobiologia da Nasa é capaz de dispensar o fósforo e substituí-lo por arsênio.” Se nunca foi encontrado um organismo extraterrestre, como Veja pode afirmar que essa bactéria se comporta como extraterrestre? Sei não, mas acho que além de um argumento do tipo non sequitur (encontramos um organismo na Terra que se comporta de maneira diferente dos outros, portanto, pode existir vida extraterrestre), esse é outro caso em que a empolgação atropelou o bom senso. Aguardemos novas pesquisas.[MB]



Contribuição www.criacionismo.com.br

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Por que a academia adota a evolução?

Em fevereiro deste ano a revista Whistleblowerpublicou uma edição dedicada à fraude científica, ao uso da ciência como autoridade pública na deformação mental de milhões, na implantação de políticas mundiais completamente irreais; o título da edição é “Hijacking Science” [Sequestrando a Ciência]. O título do post é o de um artigo, escrito por Marylou Barry, nessa edição. O subtítulo do artigo diz: “Grandes cientistas e intelectuais admitem a verdade: ‘Eu não quero acreditar em Deus.’” É espantoso, inacreditável, lamentável, estarrecedor e nojento ler os depoimentos de homens ligados à ciência e à cultura sobre seus sentimentos mais mesquinhos e dá-los como argumentos para não acreditar em Deus.

A teoria da evolução é uma desculpa esfarrapada para aqueles que não querem acreditar em Deus. Porque eles “temem que voltemos a acreditar num plano divino”, segundo Gordon Rattray Taylor, ex-consultor científico da BBC. “Porque ela [a evolução] supostamente exclui um criador”, como diz Dr. Michael Walker, ex-professor de Antropologia da Universidade de Sidney.

A evolução não é adotada por ser um fato científico comprovado, “não porque ela seja provada por evidência logicamente coerente, mas porque a única alternativa a ela, a criação, é claramente inacreditável”, como afirma D. M. S. Watson, professor de Evolução na Universidade de Londres.

Sir Arthur Keith, falecido antropologista físico e chefe do Departamento de Anatomia do Hospital de Londres, diz: “A evolução é não provada e improvável; acreditamos nela porque a única alternativa é a criação, que é impensável.”

“Materialismo é uma verdade absoluta, assim não podemos permitir um ‘pé divino’ na soleira da porta”, diz Richard Lewontin, ex-professor de genética da Universidade de Harvard.

Dr. George Wald, prêmio Nobel e professor emérito de Biologia da Universidade de Harvard, abre o jogo: “Não quero acreditar em Deus. Assim, escolho acreditar no que sei ser cientificamente impossível, geração espontânea e evolução.” Note que o indivíduo é prêmio Nobel e professor emérito de uma das mais famosas universidades do mundo. Imagine quantos autores de livros escolares esse cretino influenciou, livros esses de onde nossos filhos aprendem essa doença mental travestida de teoria científica.

Há mais depoimentos no artigo, mas termino com o depoimento do neto de Thomas Huxley, colega de Darwin, Sir Julian Huxley, ex-presidente da Unesco: “Suponho que a razão de termos nos lançado sobre a Origem das Espécies foi que a ideia de Deus interferia com nossos hábitos sexuais.” Nobre razão!

Aí está: a teoria da evolução tem como fundamento não dados experimentais, não coerência lógica, mas vontade de negar a existência de Deus e desejos sexuais irrefreáveis. Ela é filha de intelectuais moral e intelectualmente pervertidos. Mostrem esses depoimentos a seus filhos quando eles estiverem lendo, nos livros escolares, sobre essa tal “teoria”.

(Antônio Emílio Angueth de Araújo, Mídia Sem Máscara)
Tirado de www.criacionista.blogspot.com

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cérebro tem mais conexões que todos os computadores



O cérebro humano é verdadeiramente impressionante. Um típico, saudável abriga cerca de 200 bilhões de células nervosas, que são conectados uma a outro por meio de centenas de trilhões de sinapses. Cada sinapse funciona como um microprocessador, e dezenas de milhares delas podem conectar um único neurônio a outras células nervosas. Somente no córtex cerebral, há aproximadamente 125 trilhões de sinapses ¬ se fossem estrelas, daria para preencher 1.500 galáxias como a Via Láctea. Essas sinapses são, naturalmente, tão pequenas (menos de um milésimo de milímetro de diâmetro) que os seres humanos não foram capazes de ver com muita clareza o que exatamente eles fazem e como, além de saber que os números variam ao longo do tempo. Pesquisadores da Universidade Stanford School of Medicine passaram os últimos anos desenvolvendo um novo modelo de imagem, que eles chamam de tomografia da matriz, em conjunto com software computacional, para juntar as fatias de imagem em uma imagem tridimensional que pode ser rotacionada, penetrada e navegada. O trabalho foi publicado na revista Neuron desta semana. [...]


Leia mais aqui.

Nota: "Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem" (Salmo 139:14).

A dança perfeita da divisão celular



A dança da divisão celular é cuidadosamente coreografada e possui pouco espaço para erros. Informações genéticas emparelhadas são alinhadas no meio da célula na forma de cromossomos. Os cromossomos devem então ser cuidadosamente separados de modo que cada célula-filha resultante tenha uma cópia idêntica do DNA da célula-mãe. A maquinaria molecular que guia e, literalmente, puxa os cromossomos para o lado consiste de microtúbulos emparelhados que irradiam pólos opostos da célula em divisão e um enorme, mas preciso, complexo molecular chamado cinetócoro. Esse “gigante gentil” se agarra a uma única região especial do cromossomo conhecida como centrômero. Paradoxalmente, quanto maior a tensão nos microtúbulos, mais forme é a força exercida pelo cinetócoro. É semelhante ao mecanismo de certas armadilhas em que, quanto mais você tenta retirar o dedo, mais ele é apertado. Em realidade, a quantidade adequada de tensão pode ser uma pista para a célula de que tudo está ocorrendo conforme o planejado. Na ausência de tensão, a célula é alertada sobre danos ou mutações tais como câncer e, como resultado, é frequentemente levada à autodestruição.

Em outro feito de acrobacia molecular e precisão, à medida que o microtúbulo atrai o cromossomo capturado em direção ao pólo, ele na verdade é encurtado ao perder subunidades de tubulina. Para tornar a situação um pouco mais complicada, o microtúbulo é desmontado no ponto exato em que o kinetochore é fixado. Em outras palavras: imagine-se subindo em uma corda, mas à medida que você sobe, a ponta da corda vai desaparecendo bem debaixo de onde a segurou. Isso é o que esse mecanismo hábil realiza. Sendo que o cinetócoro possui muitos pontos de contato (como a armadilha que mencionamos), é bom não deixar de ir ao microtúbulo enquanto percorre a distância.

Com 100 nanômetros de diâmetro, o cinetócoro é um verdadeiro gigante. Uma das moléculas mais complexas funcionais na célula é o ribossomo, mas que em comparação mede apenas 25 nanômetros de diâmetro.

Essa perspectiva de tamanho e complexidade moleculares são exemplos das descobertas que Bungo Akiyoshi (do Fred Hutchinson Cancer Research Center, Seattle) e seus colegas estão relatando ao realizarem o isolamento do cinetócoro para fora da célula e com ela executar as mesmas tarefas que in vitro são vistas serem realizadas ao vivo. As descobertas estão relatadas na edição de 25 de novembro da revista Nature. A pesquisa foi, em parte, subsidiada pela National Science Foundation.

Sue Biggins, que participou da pesquisa, declara: “Isolar essa molécula para fora da célula é tão emocionante hoje, como era ver um ribossomo 50 anos atrás!”

(National Science Foundation; tradução: Matheus Cardoso)

Nota: Ao ler artigos como esse e tomar conhecimento de pesquisas que descem a esse nível de minúcias do mundo celular (a “caixa-preta” de Darwin), só posso dizer que não tenho fé suficiente para crer no acaso cego e na seleção natural como mecanismo evolutivo agregador de complexidade e informação genética. Curiosamente, nesse tipo de pesquisa/artigo a palavra “evolução” geralmente não é usada; fica fora de contexto.[MB]

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A teoria do design inteligente é científica

O Dr. Stephen C. Meyer tem 52 anos, é autor do best-seller Signature in the Cell e é diretor do Centro Para Ciência e Cultura do Instituto Discovery, em Seattle. Atualmente, é um dos principais porta-vozes do Design Inteligente (DI). Enquanto participava do Simpósio Darwinismo Hoje, na Universidade Mackenzie, concedeu esta entrevista à aluna de Jornalismo do Unasp, Allana Ferreira, que a cedeu com exclusividade a este blog.

Partindo do pressuposto de que existe uma inteligência criadora de informação, a partir daí, pode-se considerar um processo evolutivo?

Sabemos que há processos evolutivos que têm efeitos verdadeiros. A seleção natural é um deles. Mas a questão é: Quanta mudança a seleção pode produzir? Mais e mais os pesquisadores vêm percebendo que a seleção natural pode produzir mudanças limitadas.

O Design Inteligente (DI) admite a macroevolução?

Alguns membros do DI pensam que isso é possível. Eu, particularmente, sou cético em relação à macroevolução

Quanto de criacionismo e evolucionismo haveria na teoria do DI? Elas podem se complementar ou são completamente diferentes?

A questão sobre quanta mudança a seleção natural pode ocasionar é algo a ser estudado um pouco mais. Sabemos que ela pode produzir algumas mudanças, mas também sabemos que há limites para essas mudanças. A questão é: Quão amplos são esses limites? Quanto de mudança é possível? No nosso entendimento da história da vida, existe evidência de designinteligente na origem de formas fundamentalmente novas e algumas mudanças dento de certo limite, depois disso.

O DI é diferente do criacionismo bíblico no sentido de que este esta fundamentado em sua visão a partir da Bíblia, enquanto o DI é uma inferência que provem da evidência científica. É possível que aquilo que aprendemos da ciência e o que a Bíblia revela sejam conceitos compatíveis.

O que o DI diz a respeito da explosão cambriana?

Achamos que a explosão cambriana oferece provas convincentes a favor do DI. Para produzir uma nova estrutura nos animais se exige nova informação genética, e o que sabemos a partir de experiência é que informação sempre vem de uma fonte inteligente, como diz o cientista Henry Quastler: “A criação de nova informação é comumente associada com atividade consciente.” Essa grande introdução de informação para formar todos os seres vivos do período cambriano é evidencia de atividade inteligente.

Quais seriam as principais críticas em relação ao DI? 

A crítica mais comum ao DI é que ele não é científico. Existem muitas razões para os refutadores da teoria falarem isso, mas essa é mais uma maneira de tentar desvalorizar o DI. O que precisamos saber sobre qualquer teoria não é como classificá-la se é ciência, religião ou filosofia; essa não é a pergunta importante. O que importa é se ela é verdadeira ou não. Argumentamos que há boas evidências para que o DI seja considerado verdadeiro. Podemos concluir que o DI é uma teoria científica, pois é uma inferência baseada em evidências científicas, e a própria argumentação do DI é baseada nos argumentos que Darwin usou para a investigação científica. Os críticos não querem dizer que o DI é ciência porque tem implicações religiosas, mas a teoria é baseada na ciência, mesmo que haja implicações religiosas.

Por que a objeção dos evolucionistas é tão enfática, principalmente nos EUA, como é mostrado no documentário “Expelled: No Intelligence Allowed”, lançado em 2008? 

Para muitos biólogos darwinistas a teoria de Darwin não é simplesmente uma teoria e sim o fundamento para uma cosmovisão que é materialista. Então, quando desafiamos a teoria darwiniana, estamos desafiando o que para muitos cientistas é uma crença muito pessoal. E quando desafiamos essa teoria com argumentos que eles não conseguem responder, eles manifestam uma reação humana muito natural ficando bravos e muito passionais, e muitas vezes usam o poder que está à disposição deles para suprimir as ideias que são contrárias às deles. Esse documentário lançado nos EUA registra uma série de sanções que foram tomadas contra professores que defendiam o DI.

Como está a discussão sobre o DI tanto nos Estados Unidos como no cenário mundial?

O apoio ao DI tem crescido no mundo todo de forma impactante, principalmente com a nova geração de estudantes e professores de ciência. As pessoas mais jovens estão assistindo aos debates e percebem que os proponentes do DI argumentam a partir de evidências, já os proponentes do evolucionismo argumentam a partir de autoridades. Acostumados a recusar responder aos verdadeiros problemas que apresentamos em relação à teoria deles - como as que refutam o poder criativo da seleção natural e a capacidade de mutação -, eles, em sua maioria, insistem em questionar os possíveis motivos religiosos por trás do DI.

Já que o argumento mais enfatizado contra o DI é em relação à origem dessa inteligência, os proponentes do DI teriam alguma definição para essa questão? 

A teoria do DI simplesmente apresenta evidências para uma causa inteligente, mas é claro que os defensores do DI têm ideias referentes a quem se deve essa inteligência. Eu sou um teísta cristão e acho que as evidências acabam apontando para Deus como o projetista de tudo isso, mas outros cientistas que defendem o DI podem ter outras ideias, ou podem ser até agnósticos.

Vendo o mundo natural pelas lentes de um físico

Se já caminhou aos tropeços por um cinema escuro, incapaz de distinguir entre um braço de poltrona e uma perna esticada, você pode muito bem questionar alguns dos recursos de projeto do sistema visual humano. Claro, nós conseguimos ver muitas cores durante o dia; mas apague a luz e, bem, você sabia que um balde grande de pipoca pode acomodar um sapato feminino inteiro sem amassar? Mesmo com todas essas aparentes falhas, os blocos básicos da visão humana acabam sendo praticamente perfeitos. Cientistas aprenderam que as unidades fundamentais da visão, as células fotorreceptoras que cobrem o tecido da retina e reagem à luz, não são apenas boas, ou ótimas, ou fantásticas em seu trabalho. Elas não são apenas incrivelmente impressionantes pelos padrões da biologia. Os fotorreceptores operam na fronteira mais externa permitida pelas leis da física, significando que eles são tão bons quanto podem ser, ponto final. Cada um é projetado para identificar e reagir a fótons únicos de luz - os menores pacotes possíveis onde a luz pode vir embalada.

“A luz é quantizada, e não é possível contar meio fóton”, afirmou William Bialek, professor de física e genômica integrativa da Universidade Princeton. “Isso é o mais longe que se pode ir.” 

Assim, embora possa levar alguns minutos para se acostumar ao escuro após sermos enganados por um dilúvio de luz artificial, nosso olho pode realmente aproveitar o prêmio, e visualizar um turvo ponto de fótons solitários brilhando no horizonte.

Os fotorreceptores exemplificam o princípio da otimização, uma ideia que vem ganhando uma tração cada vez mais ampla entre pesquisadores - a de que certos recursos básicos do mundo natural foram afiados, pela evolução [sic], aos maiores picos possíveis de desempenho, os limites legais do que Newton, Maxwell, Pauli, Planck e Albert permitirão.

Cientistas identificaram e anatomizaram matematicamente uma série de casos onde a otimização deixou sua meticulosa marca, entre eles a soberba eficiência com que as células bacterianas se fecham sobre uma fonte de alimento; a precisa resposta de um embrião de drosófila para contornar moléculas que ajudam a diferenciar cauda de cabeça; e a forma como um tubarão consegue encontrar sua presa ao medir microfluxos de eletricidade na água, medindo um milionésimo de um volt - o que, conforme observou Douglas Fields em Scientific American, seria como detectar um campo elétrico gerado por uma pilha AA comum “com um pólo mergulhado no Estuário de Long Island e o outro nas águas de Jacksonville, na Flórida”.

Em cada instância, segundo cálculos de biofísicos, o sistema não conseguiria ser mais rápido, sensível ou eficiente sem antes se mudar para um universo alternativo, com constantes físicas diversas.

Os princípios da otimização podem até mesmo ajudar a explicar fenômenos em grande escala, como a elasticidade de nossos reflexos e a arquitetura básica de nosso cérebro. Para Bialek e outros físicos, a análise da otimizaçãotraz uma chance de identificar princípios básicos na biologia que possam ser encapsulados num elegante grupo de equações.

Eles poderiam, então, usar esses primeiros princípios para realizar previsões sobre como outros sistemas vivos podem se comportar, e inclusive testar suas previsões em ambientes biológicos da vida real - um exercício que pode rapidamente crescer em complexidade quantitativa até mesmo nos casos aparentemente mais simples.

Na última quarta-feira, Bialek irá discutir sua posição sobre a otimizaçãobiológica no Centro de Graduação da Universidade Municipal de Nova York, numa palestra pública encantadoramente intitulada de “Mais perfeito do que imaginávamos: A visão de um físico sobre a vida”.

Bialek é professor visitante na escola de graduação, onde ajudou a estabelecer uma “iniciativa para as ciências teóricas” dedicando-se à grande emulsificação da matemática, neurociência, física de matéria condensada, computação quântica, química computacional e ocasionais seminários sobre a física de mousses e marshmellows. [...]

Bialek e seus colegas consideraram a dinâmica de uma grande molécula de sinalização no embrião da drosófila, chamada “bicoide”. Já se sabia que pedaços da bicoide eram dispensados na ponta de um óvulo de drosófila pela mãe, que as moléculas se difundiam na direção da cauda durante o desenvolvimento, e que a concentração relativa de bicoide em qualquer ponto ajudava a determinar a segmentação da forma de uma drosófila em desenvolvimento.

Mas como, exatamente, a mosca traduz algo tão amorfo e sem fronteiras quanto o escoar de uma mancha de óleo na grade de precisão da segmentação corporal? Os pesquisadores calcularam que, para operar de forma otimizada, cada célula no embrião em desenvolvimento combinaria a força de seu sinal bicoide contra um intervalo geral de possíveis forças de sinais, basicamente comparando anotações com seus vizinhos.

Naturalmente, experimentos posteriores mostraram que células embrionárias de moscas realizam precisamente esse tipo de combinação quantitativa em reação a um pacote de estímulos bicoide. “Esse é um daqueles casos em que poderíamos ter fracassado radicalmente”, disse Bialek, “mas tivemos resultados melhores do que poderíamos esperar”.

Outros pesquisadores mostraram que um micróbio E. coli, enquanto percorre seu caminho através de um ambiente quimicamente caótico e na direção de alimento, depende de um algoritmo similar de “comparar-contrastar-agir”, embora neste caso a troca de anotações ocorra entre receptores de superfície na frente, nas laterais e na traseira da bactéria. “A confiabilidade de sua tomada de decisões é tão alta”, afirmou Bialek, “que ele não obteria um desempenho melhor nem se contasse cada molécula em seu ambiente”.

Emanuel Todorov, neurocientista da Universidade de Qashington, disse que uma forma de identificar casos prováveis de otimização é encontrar sistemas biológicos que sejam onipresentes, antigos e resistentes e mudanças. “Os músculos da maioria das espécies são bastante similares”, disse ele, “e dentro de cada fibra muscular estão as mesmas moléculas orgânicas e compridas, a mesma actina, miosina e troponina que se fecham sobre si mesmas para gerar força.” Claramente, o mecanismo tripartido de todo movimento animal, segundo ele, está muito próximo de uma máquinaotimizada que, por si só, não precisa de reinvenção.

Todorov estudou como usamos nossos músculos, e aqui ele também encontrou evidências da otimização em ação. Ele aponta que nossos movimentos corporais são “não-repetíveis”: podemos fazer o mesmo movimento uma vez após a outra, e a cada vez ele será levemente diferente. “Você pode dizer, bem, o corpo humano é desleixado”, disse ele, “mas não,somos mais bem projetados do que qualquer robô.”

Ao realizar um dado movimento, o cérebro foca nos elementos essenciais da tarefa, e ignora ruídos e flutuações na rota para o sucesso. Se você está tentando acender um interruptor de luz, o que importa se o cotovelo está para baixo ou para o lado, ou se seu pulso treme - desde que seu dedo atinja o interruptor/alvo? Todorov e seus colegas criaram modelos para diferentes movimentos e determinaram que a melhor abordagem é aquele instável, sempre em variação.

Ao tentar corrigir todas as pequenas flutuações, explicou ele, você não só gastará mais energia desnecessariamente, cansando seus músculos com mais rapidez, como também introduzirá mais ruído no sistema, amplificando as flutuações até que todo o processo seja comprometido. “Assim chegamos à inusitada conclusão”, disse ele, “de que a forma otimizada de controlar movimentos permite certa quantidade de flutuação e ruídos.”

O cérebro também parece preparado para tolerar erros e ruídos. Simon Laughlin, da Universidade de Cambridge, propôs que o sistema de condutores do cérebro foi miniaturizado ao máximo, condensado em favor da velocidade ao pico físico da fidelidade de sinalização. Segundo Charles Stevens, do Instituto Salk, nosso cérebro distingue ruídos de sinais através da redundância de neurônios e de um sagaz nivelamento médio do que aqueles neurônios têm a dizer. Nós somos como micróbios buscando por comida, e por que não? As bactérias estão por aqui há quase quatro bilhões de anos [segundo a cronologia evolucionista]. Elas possuem uma sobrevivência otimizada. E podem nos mostrar o caminho.

(New York Times News, via Yahoo Notícias)

Nota: Defeitos na visão (ou coisas parecidas) são usados para tentar refutar o argumento do design inteligente. O que Bialek está sugerindo é que os cientistas devem ter mais humildade para admitir que não sabem de tudo e que nem sempre aquilo que parece defeito estrutural num órgão o é de fato (o que falta é conhecimento sobre as funções do órgão). Faço apenas uma observação quanto à matéria acima: substitua a palavra “otimização/otimizado(a)” por “design inteligente” e tudo ficará bem mais lógico. Não consigo imaginar “forças aleatórias” e acaso cego otimizandocoisa alguma.[MB]